Não pensem que essa postagem vai começar assim:
"Fui ao shopping e comprei camisetas, shorts, meias, cuecas, calcinhas, terninhos, tops."
NA NA NI NA NAUM.
Muito pelo contrário. As vacas andam magras e não fui eu quem ganhou na mega sena acumulada.
Feriado Nacional terça-feira. Geral emendando desde sexta-feira. Quem pode pode... e se sacode e vai ferver nas baladas, nas praias, nos clubes, no exterior. Quem não pode fica em seu lar e arranja diversão em casa mesmo.
Muitas pessoas conhecidas resolveram dedicar-se a "faxina". Arregaçaram suas mangas, colocaram o lenço na cabeça, "a chinela" de dedos e o sotaque da periferia, aquele que mistura todas as regiões do País em um único idioma.
Uns passaram pano na casa, outros arrumando a geladeira, lavando aquela louça que tá encostada, os cristais, os copos de requeijão do fundinho do armário. E assim se entreteram o dia todo. No fim do dia o cansaço dominando o corpo, que merecia um banho e uma cama.
Alguns decidiram arrumar o guarda-roupa. Do mesmo modo que tem copos no fundo do armário, no guarda-roupa encontramos verdadeiras preciosidades. Aquela camisa de marca que você até esqueceu que tinha. Quantas calças jeans semi-novas; muitos pares de sapatos; cuecas, meias ainda da época que a maioria de seus convidados te davam de presente de aniversário.
Tinha sim que ler um manual de instruções. Decidiu olhar uma a uma as peças dos cabides. As que estavam em condições de uso foram separadas numa parte. As amassadas em outra para serem alisadas novamente. As manchadas pelo tempo guardadas, foram pra máquina de lavar torcer para que as propagandas de sabão em pó solucionarem seu problema (só acredito vendo).
Agora começa a tortura. A lástima da vida. As peças que você mais gosta experimenta, uma a uma. E começa a peneira. Não serve mais, não serve mais, serve, não serve mais. E aquele pensamento torturante: fiquei horrível, engordei, e agora? Não tenho mais o que vestir?
E uma pilha imensa começa a ser formada: a das roupas para doação. Por que não deixar espaço livre em seu guarda-roupa, ajudar a quem precisa ou então doar algumas dessas peças para pessoas que têm a silhueta adequada. E por que não doar seus brinquedos usados, livros... E assim, passei a minha tarde. Tirando pó das coisas e separando roupas.
Dizem que a energia das coisas acumuladas atrapalha as pessoas. Faz com que haja um atraso e que as coisas não fluam em sintonia. Além disso, o ato voluntário de dar, ceder, é importante para o crescimento do homem. Evolui espiritualmente. Assim acredito eu.
Mas, realmente, ver uma peça caríssima e que você era vidrado ir para um saco de doação é horripilante. Lastimável. Pense na cena, ahahaha, um mendingo usando seu "NIKE" e seu terno ARMANI. #NOT. Brincadeira. Nem tenho posses pra isso. E essas roupas ainda em grau de uso, em excelente estado de conservação, vão para pessoas amigas que ainda poderão desfrutá-las em grande estilo.
Final das contas, umas 4 máquinas de lavar cheias, para dar um jeito nas roupas (brancas, escuras, coloridas, azuis; sim eu tenho mais roupas azuis do que de outras cores; um abraço para o Roberto Carlos). Uma pilha imensa de roupas para passar e usar no dia-a-dia. Uma divisão de roupas no cabide para serem alinhadas e diversos sacos enormes de roupas para a doação.
Ás vezes fazer o bem tem um preço, um custo, um drama. Mas o retorno é válido. Pensar que nas épocas de frio você tem seu cobertor, seu agasalho, suas meias e uma cama pra dormir. E muitos irmãos humanos não têm nem o que comer. Pegam restos de comida do lixo, bebem aquela água que vemos correr nos cantos das ruas. Eu já presenciei tal fato e isso me fez pensar em muitas coisas que estão erradas no mundo.
Acho que o pouco que temos e, ainda, em desuso pode trazer um sorriso a quem precisa. E esse mínimo momento de alegria pode ficar marcado pra você e pra pessoa que recebeu aquele mimo. Ou seja, nossa vida fica mais prazerosa e que pelo menos praquela pessoa faremos um pouco de diferença.
E, para concluir, quem quer ir no shopping comprar uma roupinha nova comigo?




